Sinais de raiva após mordida de cachorro em uma pessoa

A raiva é uma doença infecciosa perigosa que afeta o sistema nervoso central e quase sempre resulta em morte, tanto em animais quanto em humanos. A transmissão ocorre, na maioria das vezes, pela saliva de um cão doméstico ou de rua infectado. Se você suspeitar de contato com um animal infectado, procure atendimento médico imediatamente, pois o tratamento é praticamente ineficaz após o aparecimento dos primeiros sintomas. Vejamos os principais sinais de raiva após uma mordida de cachorro em humanos.

Raiva em cães

informações gerais

A raiva é uma doença viral aguda transmitida pela mordida de animais infectados. O vírus ataca o sistema nervoso central, causando inflamação grave do cérebro (encefalite), que quase sempre resulta em morte para o animal ou pessoa infectada.

Embora a raiva fosse a segunda doença com maior número de mortes, perdendo apenas para a peste, a varíola e a cólera, durante séculos as pessoas temeram a doença por causa da morte inevitável que ela causava.

Até o século XIX, a Europa vivenciava regularmente surtos massivos de raiva em raposas, cães e lobos. Por exemplo, em 1851, na França, um lobo infectado mordeu 46 pessoas e 82 cabeças de gado em um único dia.

Naquela época, o patógeno era desconhecido e não existiam métodos de diagnóstico, portanto a prevenção se limitava ao extermínio em massa de animais. Em meados do século XVIII, na Grã-Bretanha, o preço para matar um cão vadio era de dois xelins — uma quantia significativa para a época. No início do século XIX, matilhas inteiras de cães de raça pura eram exterminadas para reduzir o risco de propagação da doença.

Como você pode ser infectado?

Cães e outros animais domésticos (gatos, roedores, animais de criação) são infectados com raiva após serem mordidos por um animal selvagem infectado. Cães de caça e de guarda, que podem vagar pela casa e ficar sem supervisão, correm um risco particularmente alto. Portanto, é crucial evitar qualquer interação entre animais de estimação e animais de rua. A vacinação preventiva para animais de estimação também é essencial. Dependendo do fabricante, a vacina oferece proteção contra a doença por 1 a 3 anos. Se o seu animal de estimação vive em uma área com alta incidência de raiva, uma dose de reforço é necessária anualmente.

Os humanos são infectados com raiva quando a saliva de um cão infectado entra no corpo através de uma ferida ou membrana mucosa. Isso ocorre com mais frequência após uma mordida. O vírus pode entrar no corpo quando a saliva entra em contato com a pele lesionada (arranhões, escoriações, queimaduras, etc.), o rosto ou as mãos. Portanto, após o contato com um animal, é necessário tratar a pele com sabonete antibacteriano ou antisséptico.

O vírus da raiva penetra nos sistemas nervosos periférico e central através de vias neurais, onde causa processos degenerativos, distróficos e necróticos. As células da medula espinhal e do cérebro deixam de funcionar e morrem gradualmente, levando a uma disfunção cerebral significativa e eventual morte.

O cachorro está latindo.

Sintomas de raiva após mordida de cachorro

Os sinais de raiva em humanos podem aparecer 10 dias ou mais após a mordida de um cão. O período médio de incubação é de um a três meses. Em casos raros, o vírus pode se desenvolver assintomaticamente no organismo por um ano ou mais. O aparecimento dos sintomas da raiva em humanos indica que a doença progrediu significativamente e que processos patológicos graves já estão ocorrendo no sistema nervoso central.

Importante saber! O tratamento da raiva em humanos é mais eficaz antes do aparecimento dos sintomas. Caso contrário, a doença é praticamente incurável e fatal. Portanto, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente após ser mordido por um animal suspeito de estar infectado.

A doença apresenta três estágios de desenvolvimento, cada um caracterizado por determinados sintomas:

  • A primeira fase é o período prodrômico (inicial). Dura de 1 a 3 dias. A própria ferida é a primeira a causar incômodo, mesmo que já esteja cicatrizada há muito tempo. Ocorrem dor, ardência e coceira. Vermelhidão e inchaço podem surgir. Observa-se também um aumento da temperatura corporal para níveis subfebris (37,1-37,5 °C), depressão, ansiedade, falta de apetite e insônia.
  • A segunda fase é a fase aguda. Dura de 1 a 4 dias. Desenvolvem-se agressividade, agitação excessiva e aumento da sensibilidade a qualquer estímulo (luz forte, sons altos, odores desagradáveis ​​e toque). Observam-se espasmos musculares frequentes. Desenvolve-se hidrofobia, em que a pessoa experimenta um espasmo da laringe ao tentar beber uma pequena quantidade de água. O espasmo pode interferir na respiração e, posteriormente, desenvolve-se até mesmo ao olhar para a água. Aparecem aerofobia, alucinações auditivas, visuais e olfativas. A salivação aumenta significativamente.

Sintomas da raiva em humanos

  • A terceira fase é o período de paralisia. Dura de 1 a 2 dias. O paciente torna-se visualmente mais calmo. Desenvolve-se paralisia dos membros, dos músculos oculares e dos músculos faciais (queda da mandíbula). A morte ocorre como resultado da paralisia do músculo cardíaco ou dos órgãos respiratórios.

Em média, após o aparecimento dos primeiros sintomas, a doença dura de 5 a 10 dias. A duração e a velocidade de progressão dependem da localização da mordida, da extensão da ferida e do estado geral de saúde da pessoa. Mordidas na cabeça e no rosto, bem como nas mãos, onde se encontra uma grande concentração de fibras nervosas, são consideradas as mais perigosas.

Raiva em cães: sintomas

Para suspeitar de raiva em um cão, é importante prestar atenção ao seu comportamento. Certos sintomas podem indicar perigo para humanos, o que significa que o contato com o animal deve ser evitado. Se o animal for de rua, ele será agitado, agressivo e evitará pessoas. Ele salivará profusamente e terá um latido rouco.

Um cão doméstico contrai raiva após contato com outro animal. Nesse caso, o dono pode notar mordidas ou escoriações no animal. Com o tempo, observam-se mudanças comportamentais, incluindo agressividade e perda de apetite. Um dos principais sinais da doença é a recusa em beber água. O cão apresenta espasmo laríngeo, dificuldade para engolir e salivação excessiva. Se surgirem sinais da doença, consulte um veterinário imediatamente.

Raiva em um cachorro

Prevalência da raiva

A raiva representa uma ameaça global à saúde humana e animal. Focos naturais do vírus são encontrados em quase todo o mundo, com exceção da Oceania e da Antártica. A infecção surgiu na Austrália relativamente há pouco tempo, com os primeiros casos registrados em 1996.

Os morcegos são portadores assíduos do vírus. Eles próprios não adoecem, mas servem como reservatório para a disseminação da infecção na natureza. Os principais vetores são animais de sangue quente; os humanos são apenas um elo incidental na cadeia de transmissão e não influenciam a circulação do vírus em condições naturais.

Existem dois tipos de raiva: a raiva urbana, que afeta animais domésticos e de criação, e a raiva silvestre, que ocorre em animais selvagens. Na Rússia, a variedade silvestre predomina. O maior número de casos entre animais selvagens é registrado nos Distritos Federais da Sibéria, dos Urais, Central, do Sul e do Volga, onde são contabilizados 77% de todas as infecções. Entre os humanos, mais de 85% dos casos são relatados nos Distritos Federais Central, do Sul, do Cáucaso do Norte e do Volga.

A raiva mata até 70.000 pessoas por ano em todo o mundo — aproximadamente duas a cada 15 minutos e cerca de 200 por dia. Cerca de 95% das mortes ocorrem em países da Ásia, África e América Latina. Especialistas acreditam que uma parcela significativa dos casos permanece sem diagnóstico devido à vigilância deficiente e à disponibilidade limitada de testes diagnósticos.

O que fazer se uma pessoa for mordida por um cachorro

Nem todo cão que morde uma pessoa é portador do vírus da raiva. Se uma pessoa for mordida por um cão doméstico que esteja regularmente vacinado e que não tenha tido contato prévio com animais de rua, não há motivo para preocupação, mas ainda assim deve procurar atendimento médico. Se uma pessoa mordido por um cão de ruaPrincipalmente em caso de sintomas de raiva, você deve ir imediatamente ao pronto-socorro. Um médico examinará os ferimentos e prescreverá o tratamento adequado. O tratamento e a prevenção padrão para raiva em humanos após uma mordida de cachorro é a vacinação.

O medicamento é administrado seis vezes, seguindo um esquema: dia 0 (dia da primeira consulta médica), depois nos dias 3, 7, 14, 30 e 90. A terapia será mais eficaz se o tratamento começar no primeiro dia após a lesão, mas nunca depois do 14º dia. Em adultos, a injeção é aplicada no músculo deltoide e, em crianças, na coxa. Se o comportamento do animal mordedor puder ser observado e não houver sinais de doença em 10 dias, as vacinações subsequentes são suspensas. Após o ciclo de vacinação, a pessoa desenvolve imunidade que dura um ano. Se houver contato repetido com um animal infectado após esse período, o ciclo deve ser repetido.

Vacinação contra a raiva

Em casos de múltiplas picadas profundas, pode-se administrar imunoglobulina antes da vacinação. Trata-se de uma preparação contendo anticorpos prontos para uso, que é injetada diretamente na área afetada. A imunoglobulina bloqueia a penetração viral, mas apresenta efeitos colaterais mais graves do que a vacinação. Portanto, seu uso é determinado pelo médico responsável, caso a caso.

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