Obesidade em cães

A obesidade em cães é uma condição séria que, se não tratada, pode reduzir significativamente a expectativa e a qualidade de vida do animal. O problema surge não apenas de uma dieta inadequada, mas também de porções excessivas e outros fatores. Muitos donos acreditam que quanto mais comida na tigela do cachorro, mais satisfeito ele ficará, mas, na realidade, essa abordagem faz mais mal do que bem. Práticas alimentares inadequadas frequentemente levam a consequências negativas para a saúde.

Razões

Antes de iniciar o tratamento, é importante entender a causa subjacente do excesso de peso. Existem muitas causas de obesidade em cães, e uma das mais comuns é a superalimentação.

Alimentação excessiva

Muitas vezes, os donos exageram na quantidade de comida, ignorando as dosagens recomendadas ou oferecendo porções que excedem as necessidades calóricas diárias do animal. Portanto, é crucial calcular a quantidade correta de alimento. Se for utilizada ração seca, a embalagem geralmente indica quantos gramas são necessários por quilograma de peso corporal. Ao alimentar o cão com comida natural, esta deve ser de fácil digestão — não muito gordurosa nem excessivamente calórica.

Preste atenção à atividade do animal.A quantidade de comida varia de acordo com a idade e o estado de saúde do animal. Fêmeas precisam de porções menores, mas se estiverem grávidas ou amamentando, a quantidade deve ser aumentada. O ideal é alimentar o animal com mais frequência, porém em pequenas porções. Uma tigela menor facilita o processo.

Baixa atividade animal

A obesidade em cães ocorre não apenas devido à alta ingestão de calorias, mas também porque elas não são gastas. Se um animal de estimação é inativo e os passeios se limitam a cinco minutos apenas para fazer suas necessidades, o risco de obesidade é alto.

Distúrbio metabólico

Os animais também costumam sofrer de desequilíbrios metabólicos. Se o metabolismo for muito acelerado, seu cão ficará magro, mesmo que coma bastante (mas você deve se certificar de que o animal não tenha vermes ou qualquer outro problema patológico subjacente). Muitas vezes, porém, o desequilíbrio se torna mais lento. E é aí que começam os problemas sérios. Não só se desenvolve obesidade, como o animal também pode desenvolver outros problemas de saúde. diabetes mellitusPor isso, o excesso de peso em cães torna-se um problema real.

Estresse

Muitos já ouviram a expressão "comer por estresse". Os animais também sentem estresse. Mas eles só comem se alguém ceder aos seus olhinhos doces e suplicantes e colocar comida na tigela. Lembre-se, os cães comem como se estivessem em reserva, como se não fossem receber mais comida. Cães que viviam nas ruas são especialmente suscetíveis a esse "hábito alimentar". Eles frequentemente temem não serem alimentados novamente. E o medo é um fator de estresse para eles. Seja paciente; leva tempo para um animal perceber que seus dias de fome acabaram. Mas mesmo que seu cão tenha sido adotado de um canil, tente monitorar sua saúde mental.

Predisposição

Algumas raças (Dachshunds, Labradores e Rottweilers) têm predisposição genética à obesidade. A dieta delas deve ser monitorada, escolhendo-se uma ração específica. Se os pais do seu pet eram obesos, há um alto risco de que ele também fique com sobrepeso e acúmulo de gordura.

Sintomas de obesidade em cães

Obesidade em cães

Os labradores são propensos à obesidade.

Cães que comem em excesso sofrem

A obesidade em cães apresenta sintomas quase idênticos aos dos humanos. Depósitos de gordura aparecem, primeiro sob a pele e depois nos órgãos internos. No entanto, é crucial não confundir excesso de peso com edema ou outras condições médicas. Por exemplo, muitos donos pensam que seu filhote está simplesmente gordinho e bem alimentado, quando, na verdade, ele tem uma grave infestação intestinal — uma infestação por vermes.

O principal sinal de que um cão já está desenvolvendo problemas de obesidade é a dificuldade em visualizar as costelas. Normalmente, quando um cão corre ou se move, as duas últimas costelas ficam visíveis (elas são mais curtas e não se conectam ao esterno). Quando um cão está obeso, elas não são mais visíveis. Além disso, são extremamente difíceis de palpar. Já existe uma quantidade significativa de gordura subcutânea.

Sua barriga vai ficando cada vez mais redonda e a gordura se deposita uniformemente por todo o corpo. Quanto mais espessa a camada de gordura, maior a obesidade e maior o risco de desenvolver doenças internas graves. Isso significa que você deve substituir sua dieta habitual por alimentos que ajudam a combater a gordura o quanto antes.

Outro sintoma é uma marcha "cambaleante", causada pelo acúmulo de gordura nos quadris. O excesso de peso dificulta a locomoção do cão, podendo causar falta de ar. E é um ciclo vicioso. Se o animal caminha pouco, não está perdendo peso, mas sim ganhando, e quanto mais peso, mais difícil é caminhar. É por isso que o animal passa mais tempo deitado.

Por que é necessário combater a obesidade?

Se a obesidade em cães não for tratada, diversos problemas de saúde surgirão rapidamente. É impossível prever com exatidão qual órgão será afetado primeiro. Todos os órgãos sofrem, ainda que gradualmente, ao mesmo tempo.

Coração

O organismo é forçado a trabalhar quase até a exaustão. Além disso, os níveis de colesterol no sangue aumentam. Há um alto risco de formação de placas, obstrução dos vasos sanguíneos ou comprometimento do fluxo sanguíneo. A pressão arterial sobe. Qualquer pessoa que já teve hipertensão sabe o quão terrível ela pode ser. A pressão alta é perigosa porque pode causar o rompimento de vasos sanguíneos (inclusive os do cérebro).

articulações

Devido ao seu peso elevado, sofrem enorme estresse, deformam-se e engrossam. Desenvolve-se osteocondrose. Com o tempo, torna-se extremamente difícil para o animal simplesmente se mover. As articulações ficam cada vez mais difíceis de dobrar.

Fígado

A degeneração gordurosa se desenvolve. O fígado desempenha dezenas de funções, e nem todas estão relacionadas à digestão. E se esse órgão sofre, tudo no corpo fica desregulado. Os olhos, ou mais precisamente, a parte branca dos olhos, podem dar indícios de um fígado doente. Eles começam a amarelar. E quanto mais acentuado o amarelamento, mais grave o problema. Icterícia Isso ocorre devido ao aumento dos níveis de bilirrubina no sangue. Afeta o cérebro, portanto o animal precisa ser tratado o mais rápido possível.

Pâncreas

O pâncreas também fica sobrecarregado. Isso pode levar ao diabetes. Nesse caso, a dieta precisará ser cuidadosamente ajustada, com os carboidratos cuidadosamente controlados para evitar danos ao animal. Em casos muito graves, injeções de insulina são necessárias.

Tratamento

Tratar a obesidade em cães é absolutamente necessário. Mesmo que possa parecer engraçado e até comovente em alguns casos, não há nada de engraçado nisso. O animal sofre e todo o seu corpo experimenta um estresse significativo, o que, em última análise, encurtará sua vida.

Nutrição natural na dieta

Se for confirmado que seu cão está obeso, o tratamento deve começar no mesmo dia. Evite ajustar a dieta por conta própria. Muitos donos cometem um grande erro: deixar seus cães passarem fome. Isso só causará mais danos.

  • Reavalie sua dieta. Reduza a quantidade de comida por porção. Alimente seu animal de estimação com mais frequência, mas em porções menores. Isso se chama alimentação fracionada. Elimine todos os alimentos gordurosos.
  • Enriqueça sua dieta com vegetais. Em primeiro lugar, eles são repletos de vitaminas. Ao fazer dieta, é crucial manter uma ingestão saudável desses nutrientes. Em segundo lugar, os vegetais são ricos em fibras, que limpam os intestinos, permitindo que funcionem melhor. Em terceiro lugar, você pode comer muitos vegetais porque eles são extremamente baixos em calorias.
  • Mingau para cães Escolha opções com baixo teor calórico: aveia, trigo sarraceno. Cozinhe-os em água sem sal ou óleo. O mingau vai saciar seu animal de estimação rapidamente. Nada de batatas ou arroz. Esses alimentos contêm carboidratos extras que contribuirão para o ganho de peso. Mas não exagere na quantidade de alimentos à base de grãos.
  • Não se pode descartar essa possibilidade. carneA proteína é essencial para o crescimento muscular. Afinal, além da alimentação, seu cão precisará se exercitar para queimar calorias. Mas certifique-se de consultar seu veterinário sobre os tipos específicos de exercícios e as quantidades adequadas. Se o seu cão estiver muito acima do peso, correr será muito difícil e também sobrecarregará o coração e as articulações.

Escolha carnes magras, removendo todas as partículas de gordura. Frango, carne bovina, peru e coelho são boas opções. Além da dieta, o tratamento sintomático é necessário (para fortalecer o coração e os vasos sanguíneos, restaurar o fígado e ligar e remover a bilirrubina dos intestinos, impedindo que ela seja absorvida e entre na corrente sanguínea). Um veterinário fornecerá um plano de tratamento detalhado e prescreverá medicamentos em doses terapêuticas.

Ração industrial

Se você alimenta seu cachorro com ração seca, pare imediatamente de dar a ele a ração que ele sempre comeu. É provável que essa seja a causa da obesidade dele. Você precisa encontrar uma nova ração dietética para cães propensos à obesidade. Ela deve ser rica em vitaminas, mas com baixo teor calórico, para que os quilos extras sejam perdidos gradualmente. Escolher uma ração dietética para cães não é fácil. A melhor opção é a sem grãos. Wellness Core Reduced Fat, EVO Reduced Fat e Orijen Senior são rações populares para perda de peso em todo o mundo. Elas não são baratas, mas valem a pena. São perfeitamente balanceadas, com todas as proporções certas.

Atividade física

Seu cachorro não deve perder peso muito rápido! É melhor fazer isso de forma lenta e gradual, para que o metabolismo dele possa acelerar e o corpo se adaptar. O exercício também deve ser aumentado aos poucos. Comece com caminhadas longas; seu cachorro precisa caminhar bastante. Aumente a distância em um quilômetro por dia. Isso será benéfico para você.

Assim que você notar que seu cachorro está começando a perder peso, pode começar a praticar exercícios. Tente corridas curtas (buscar, correr), pular obstáculos. Aumente o tempo das caminhadas. Se possível, leve seu cachorro a áreas específicas para exercícios ou procure a ajuda de um centro de adestramento. Um adestrador poderá desenvolver um programa específico para perda de peso. Primeiro, seu cachorro precisa emagrecer.

Com o tempo, o corpo se adaptará ao exercício, por isso é importante aumentá-lo gradualmente. Assim que a gordura desaparecer, você notará o quanto seu cachorro gosta do treino. Ele continuará fazendo todos os exercícios com alegria. Seus músculos começarão a se desenvolver e seu coração ficará mais forte.

Consequências da obesidade e doenças associadas em cães

As consequências da obesidade em cães podem ser bastante graves e afetar diversos sistemas do organismo. Problemas de saúde comuns associados à obesidade incluem:

  • Distúrbios metabólicos (hiperlipidemia, resistência à insulina, intolerância à glicose, complicações da anestesia)
  • Patologias endócrinas (hiperadrenocorticismo, hipotireoidismo, diabetes mellitus, insulinomas, adenoma hipofisário)
  • Distúrbios funcionais (falta de ar, hipertensão, trabalho de parto difícil, intolerância à atividade física e ao calor, doenças do sistema musculoesquelético, especialmente das articulações)
  • Doenças cardiovasculares
  • Maior suscetibilidade ao câncer

Além disso, cães com sobrepeso vivem, em média, cerca de 20% menos do que animais de estimação com peso normal.

Tem alguma dúvida? Você pode perguntar ao veterinário da nossa equipe no comentário abaixo, que responderá o mais rápido possível.

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5 comentários

  • Olá, gostaria de saber quantos gramas de ração seca um maltês (5,7 kg) precisa?

  • Dadas as consequências negativas da obesidade para a saúde de um animal de estimação, o tratamento deve ser supervisionado por um veterinário. A perda de peso em excesso é um processo abrangente e de longo prazo.

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    • Concordo plenamente com você. A obesidade nem sempre se deve apenas à má nutrição. Muitas vezes, o excesso de peso é causado por uma condição médica grave (por exemplo, disfunção das glândulas endócrinas, problemas gastrointestinais ou distúrbios metabólicos). Simplesmente parar de alimentar e aumentar o exercício não é a abordagem correta. A perda de peso deve ser gradual, monitorando a condição do seu animal de estimação. Terapia de suporte pode ser necessária.

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  • Olá. Tenho uma cadela spaniel de 9 anos e meio. Sinto um caroço no lado esquerdo dela. Uma radiografia mostrou aumento do rim e do coração. Os exames de sangue estão normais. A urina está normal, sem sangue detectado. No entanto, à noite, a respiração dela fica acelerada. Gostaria de saber: o aumento do rim pode ser devido à obesidade? E como posso ajudá-la? O que devo fazer em relação ao rim? Os veterinários não me dizem nada claro. Apenas dizem para ela emagrecer e pronto. Mas o caroço não desaparece. Quando a apalpo, percebo que ela está incomodada. Agradeço antecipadamente por qualquer conselho.

    • Olá. Seu animal de estimação já está idoso, então podem estar ocorrendo alterações nos órgãos internos. A falta de ar à noite pode ser causada por problemas cardíacos (edema também pode aparecer à noite; infelizmente, esses são sintomas de problemas no sistema circulatório). E, à medida que o coração começa a funcionar com menos eficiência, outros órgãos começam a falhar gradualmente. O que exatamente disseram sobre os rins? Não foi apenas que o órgão estava aumentado. Explicaram o aumento da pelve renal, da medula ou a hipertrofia generalizada? Pode haver hidrocefalia ou inflamação? Foram mencionadas outras alterações? A obesidade desencadeou problemas cardíacos e, em seguida, outros problemas surgiram. Perder peso não melhorará a saúde dos rins, mas reduzirá significativamente o esforço sobre o coração e os órgãos doentes, as articulações e a coluna vertebral. Nenhum medicamento restaurará o tamanho dos rins, mas perder peso certamente melhorará o bem-estar do seu animal de estimação. Agora você precisa reduzir o teor calórico da sua dieta, enriquecê-la com vitaminas e micro e macroelementos (especialmente magnésio e potássio, mas sem exageros, pois é preciso ter cuidado com eles) e aumentar gradualmente a atividade física (comece aumentando o tempo de caminhada).

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