Anemia em cães: sintomas, causas e tratamento.
Os animais compartilham muitas das mesmas doenças que os humanos. Por exemplo, um cachorro pode ser diagnosticado comanemiaO termo "anemia", geralmente aceito como a causa dessa patologia, não é totalmente correto, pois nela o volume sanguíneo não diminui, mas sim sua composição: o nível de hemoglobina cai.
Nos vertebrados, a hemoglobina é encontrada nos glóbulos vermelhos, uma proteína especial que contém ferro e transporta oxigênio para os tecidos. Os glóbulos vermelhos são produzidos na medula óssea, e os usados são eliminados nas fezes e na urina. Os processos de formação e destruição celular são equilibrados, garantindo um número constante de glóbulos vermelhos no sangue.
Quando o equilíbrio é perturbado e há escassez de glóbulos vermelhos, o corpo sofre com a falta de oxigênio nas células. A anemia pode ter muitas causas e, em todos os casos, requer tratamento imediato, pois pode se tornar fatal se não for tratada.

Contente
- 1 Tipos e causas da anemia
- 2 Sintomas de anemia
- 3 Diagnóstico
- 4 Tratamento
- 5 Anemia regenerativa e não regenerativa: por que isso importa
- 6 Anemia inflamatória e suas características
- 7 Aplasia e pancitopenia são indicações para intervenção de emergência.
- 8 O papel do hormônio eritropoietina
- 9 Medula óssea: quando é necessária uma biópsia?
- 10 Características da anemia em filhotes
- 11 Razões não óbvias, mas importantes
- 12 Medidas primárias vitais
- 13 Monitoramento da terapia e da dinâmica
- 14 Prevenção da anemia em cães
Tipos e causas da anemia
Dependendo da causa que a origina, a anemia é dividida em vários tipos:
- Pós-hemorrágica. Desenvolve-se como resultado de perda de sangue após cirurgia, sangramento pós-traumático ou micro-sangramento crônico associado à doença ulcerosa péptica ou gastrite anácida.
- Anemia hemolítica. Essa forma de anemia resulta da destruição de eritrócitos (glóbulos vermelhos) devido à exposição a substâncias químicas, medicamentos e toxinas secretadas por patógenos que causam hepatite, hepatose e piroplasmose. Se um cão tem helmintíase, os vermes envenenam seu organismo com toxinas que causam a destruição dos glóbulos vermelhos. Picadas de carrapatos deixam microorganismos parasitas sanguíneos no corpo do cão, que se alimentam das proteínas dos glóbulos vermelhos.
- Anemia hipoplásica e aplásica. Essas são formas relativamente raras, porém graves, de doença sanguínea associadas à disfunção hematopoiética da medula óssea. Esses tipos de anemia também podem se desenvolver devido à deficiência de vitaminas do complexo B e minerais como cobalto, cobre, selênio, zinco e ferro.
- Anemia hipocrômica (por deficiência de ferro). Essa forma de anemia é causada pela deficiência de ferro, essencial para a formação de glóbulos vermelhos. Essa condição ocorre com mais frequência quando o animal é mal alimentado ou sua dieta contém poucos alimentos ricos nesse oligoelemento.
Sintomas de anemia
Os sinais de anemia dependem do patógeno subjacente, mas estão, em última análise, relacionados a uma interrupção no suprimento de oxigênio aos tecidos. Os sintomas mais típicos e bastante óbvios da anemia são mucosas pálidas (até mesmo branco-peroladas) e perda de atividade. O cão torna-se letárgico, sonolento, inibido e cansa-se facilmente.

As manifestações da doença também podem incluir:
- inchaço;
- perda de apetite;
- icterícia (na forma hemolítica);
- hemorragias puntiformes na membrana mucosa dos olhos e da cavidade oral;
- temperatura subfebril;
- Vestígios de sangue nas fezes ou na urina;
- pulso rápido;
- respiração ofegante;
- Distúrbio do ritmo cardíaco, taquicardia.
Diagnóstico
O principal método de diagnóstico para detectar anemia é o hemograma completo. Os parâmetros hematológicos normais para cães adultos são:
- hemoglobina - 120÷180 g/l;
- ESR (velocidade de sedimentação eritrocitária) - até 13 mm/hora;
- leucócitos - 6 a 17 mil/μl;
- hematócrito (volume de glóbulos vermelhos) ― 38 ÷ 55 vol%.
Importante! O animal deve limitar a atividade física 24 horas antes da doação de sangue, e a última alimentação deve ocorrer no máximo 8 horas antes da coleta. Isso é necessário para garantir a precisão dos resultados dos exames.
Para determinar a causa da anemia em um cão, um veterinário pode prescrever uma série de exames adicionais:
- Exame de sangue para detecção de parasitas;
- análise geral de urina;
- Análise de fezes para detecção de ovos de helmintos e sangue oculto;
- endoscopia;
- punção da medula óssea;
- Ultrassonografia ou raio-X dos órgãos abdominais.

Tratamento
As estratégias de tratamento para anemia em animais são desenvolvidas com base nos dados obtidos durante o exame, referentes à causa da patologia e à extensão do distúrbio na composição sanguínea. Para qualquer forma de anemia, são prescritas vitaminas B12 (cianocobalamina), B9 (ácido fólico), bem como suplementos contendo potássio, ferro, cobalto, selênio e zinco.
- Na forma pós-hemorrágica da doença, administra-se por via intravenosa ou subcutânea solução salina multicomponente de Ringer, poliglucina, soluções de glicose e cloreto de sódio para estancar o sangramento e repor o sangue perdido. Recomenda-se também um ciclo de vitamina K1, que melhora a coagulação sanguínea.
- Para anemia hemolítica, utilizam-se glicocorticoides (como a prednisolona), antídotos e medicamentos desintoxicantes. Se a causa da anemia for infecção, helmintos ou parasitas sanguíneos, são necessários agentes antibacterianos ou antiparasitários.
- A anemia hipoplásica é tratada com esteroides anabolizantes e glicocorticoides. Transfusões de medula óssea e/ou sangue são realizadas.
Isso é importante! Se o seu cão estiver anêmico, recomenda-se alimentá-lo com alimentos ricos em ferro e vitaminas do complexo B. Isso ajudará a restaurar os níveis de hemoglobina mais rapidamente. O fígado cru é considerado um dos alimentos mais ricos em ferro.

Anemia regenerativa e não regenerativa: por que isso importa
A anemia em cães é classificada como regenerativa (quando a medula óssea responde e inicia a regeneração de glóbulos vermelhos) e não regenerativa (quando a medula óssea não responde ao sinal, por exemplo, devido a doenças crônicas). Os cães podem levar de 3 a 5 dias para apresentar reticulocitose (um sinal de regeneração); em 50% dos casos de anemia grave, esse mecanismo está ausente. Nesses cães, a causa subjacente deve ser identificada e tratada de forma consistente.
Essa abordagem ajuda a evitar erros quando o único sintoma de anemia é insuficiência cardíaca evidente e o diagnóstico subjacente permanece desconhecido.
Anemia inflamatória e suas características
Se a anemia se desenvolve devido a doenças inflamatórias crônicas (por exemplo, insuficiência renal, endocrinopatias, processo piogênico crônico), ela é chamada de anemia de doenças crônicas. É considerada não regenerativa e caracteriza-se pela diminuição da eritropoiese. Nesse caso, é importante não apenas repor o ferro, mas também controlar o processo crônico subjacente; sem isso, o aumento na contagem de células sanguíneas será temporário.
Aplasia e pancitopenia são indicações para intervenção de emergência.
Na anemia aplásica, não apenas a composição celular (glóbulos vermelhos), mas também os glóbulos brancos e as plaquetas são afetados. Isso pode resultar de mieloplasia, tumores da medula óssea, infecções virais ou um ataque imunológico à medula óssea. Pode ocorrer pancitopenia — a cessação da hematopoiese —, uma condição que coloca a vida em risco. Nesses casos, transfusões de sangue e terapia imunossupressora agressiva tornam-se necessárias.
O papel do hormônio eritropoietina
Para insuficiência renal crônica (acompanhada de anemia), preparações de eritropoietina são frequentemente prescritas, estimulando a produção de glóbulos vermelhos. Isso permite um aumento nos níveis de hemoglobina sem o uso excessivo de suplementos de ferro. Essa abordagem ajuda a evitar os efeitos negativos da superdosagem de ferro e melhora a qualidade do sangue e o transporte de oxigênio.
Medula óssea: quando é necessária uma biópsia?
Se a anemia não for regenerativa e os exames de rotina não identificarem a causa, pode ser necessário um exame de medula óssea. Isso é especialmente importante se houver suspeita de tumor (como leucemia), aplasia ou distúrbios hematopoiéticos graves. A biópsia é a única maneira de diagnosticar com precisão e orientar o tratamento.
Características da anemia em filhotes
Em filhotes, a anemia está frequentemente associada à desnutrição, infestação por helmintos ou infecções virais (como o parvovírus). Eles têm um metabolismo mais acelerado e uma alta capacidade de regeneração compensatória. Com tratamento oportuno, a anemia em filhotes geralmente se resolve mais rapidamente do que em cães adultos.
Razões não óbvias, mas importantes
Às vezes, a anemia se desenvolve devido a fatores raramente mencionados:
-
Hemobartonelose (Mycoplasma canis) - os parasitas se fixam aos glóbulos vermelhos e causam sua destruição.
-
Infecções crônicas, perda sanguínea oculta (por exemplo, tumores gastrointestinais) ou carga tóxica a longo prazo (substâncias venenosas).
-
Distúrbios de coagulação sanguínea (por exemplo, deficiência de fator, hemofilia genética) que levam a micro-hemorragias.

Medidas primárias vitais
Se a anemia for grave e o animal estiver deprimido, é necessário:
-
Realizar com urgência terapia de infusão (soro intravenoso para normalizar o volume sanguíneo e apoiar a atividade cardiovascular);
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Se houver risco de choque, transfundir sangue total ou massa de glóbulos vermelhos;
-
exclusão de condições de choque.
Monitoramento da terapia e da dinâmica
Após o início do tratamento, é importante monitorar regularmente o hematócrito e a contagem de reticulócitos: a cada 1 a 2 semanas para anemia crônica estável e 1 a 2 vezes por semana para anemia grave. Isso permite avaliar a eficácia da terapia e realizar ajustes prontamente.
Tabela: Visão geral comparativa das formas de anemia e abordagens de tratamento
| Tipo de anemia | Característica | Medidas direcionadas |
|---|---|---|
| Regenerativo | A medula óssea responde, reticulocitose após 3 a 5 dias. | Apoio, eliminando a causa |
| Não regenerativo | Ausência de resposta da medula óssea, frequentemente observada em doenças crônicas. | Tratamento da patologia primária |
| Aplástico | Pancitopenia, supressão de todas as células sanguíneas. | Imunossupressão, transfusões |
| Parvovírus (filhotes) | Regeneração rápida, mas deterioração também rápida. | Terapia anti-infecciosa, nutrição |
| Hemobartonelose | O parasita se fixa e destrói os glóbulos vermelhos. | Medicamentos antibacterianos |
Prevenção da anemia em cães
Não existem medidas preventivas que possam evitar completamente a anemia em cães. Seguir as orientações gerais de cuidados e alimentação pode reduzir significativamente o risco de anemia. Essas orientações incluem:
- Exames preventivos regulares realizados por um veterinário;
- Vacinação em tempo oportuno;
- Concordar com seu médico sobre o uso de quaisquer medicamentos;
- Garantir condições de vida seguras que excluam o contato com substâncias tóxicas.
Deve-se prestar atenção especial à dieta do seu cão. Ela deve ser balanceada e conter os elementos necessários para a formação do sangue, como minerais e vitaminas. Ao escolher alimentos comerciais, é melhor optar por aqueles feitos com subprodutos de carne. A quantidade de alimento consumida diariamente deve ser suficiente para atender às necessidades do organismo do animal. Por exemplo, uma cadela gestante ou lactante, ou um cão de caça ativo, precisará de mais alimento do que um cão que passa a maior parte do tempo dentro de casa.
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